segunda-feira, 18 de março de 2013

More Than This ~ Capítulo 1 ~ Não quero


~(S/N) P.O.V~

Era 7:15 da manhã, quando eu acordo com os gritos da minha mãe.

Mãe: MENINA ACORDA! VOCÊ ESTÁ ATRASADA, SUA AULA COMEÇA AS 7:00 ESQUECEU? E TEM QUE LEVAR SEU IRMÃO TAMBÉM, LEVANTA RÁPIDO, EU AINDA TENHO MEU EMPREGO NA LOJA DA HELENA *gritou*

Levantei num pulo, já tirando minha blusa.

Eu: O DESPERTADOR NÃO TOCOU? TO INDO MÃE, TO INDO *gritei de volta*

Minha mãe entra no meu quarto.

Mãe: O despertador tocou sim, eu já estou pronta faz um tempinho, é que fiquei com dó de acordar você e seu irmão, e pensei que você acordaria sozinha, só que você dormiu muito *riu*




Mãe: Não me olha assim! *riu

Eu: Então não me acorda nos gritos né mãe *ri* só vou colocar uma roupa, você já acordou o Guto?

Mãe: Não, faz esse favor pra mim filha? Eu tenho que ir trabalhar.

Eu: Tudo bem, acho que vou chegar um pouco atrasada na escola, mas ok.

Mãe: Então ta filha, eu vou indo *beijo na bochecha* Se cuida.

Eu: Mãe...

Mãe: O que foi?

Eu: Posso faltar na escola hoje? Só hoje mãe.

Mãe: Por que todo dia você quer faltar na escola agora? Você sabe que não pode ficar faltando, se não você perde sua bolsa na escola.

Eu: Só hoje mãe, você sabe por que quero faltar... 

Mãe: Não sei não.

Eu: As pessoas não gostam de mim lá, ninguém fala comigo, você sabe.

Mãe: Tudo isso só porque eu trabalho em uma pequena empresa, e a gente não tem uma boa condição?

Eu: Não sei.

Mãe: Eu já disse que você não pode ligar para essas pessoas.

Eu: Você diz isso porque não é com você.

Mãe: Eu sei que é difícil filha, mas não liga para eles! Agora eu tenho que ir trabalhar, depois a gente continua essa conversa *disse indo embora* E não se esquece de dar o lanche do seu irmão.

Eu: Tudo bem mãe, tudo bem.

Minha mãe trabalha em uma pequena empresa, quando eu digo pequena, é pequena mesmo, ela trabalha na loja da Dona Helena.

Tudo começou a complicar quando o meu pai morreu.

Eu tinha 11 anos quando minha mãe ficou grávida do meu irmão.

Eu, meu pai e minha mãe, sempre moramos em Londres.

Meu pai era empresário, tinha uma loja que vendia coisas de futebol, baseball, futebol americano, coisas de esporte, e como na Europa baseball... essas coisas fazem muito sucesso, ele até que vendia bem, e nós tínhamos uma condição boa, não éramos ricos, mas também não éramos pobres.

Minha mãe fez faculdade, e pós graduação, sempre foi muito estudiosa, e trabalhava na loja do meu pai, ela era quem cuidava da administração da loja, da contabilidade, ela era quem fazia os gastos, que cuidava do dinheiro, e tudo mais, e meu pai, era mais da publicidade da loja, era ele quem conseguia as parcerias da loja, e era ele quem dava o dinheiro para tudo ser possível.

Até que uma viajem mudou totalmente a nossa vida...

~Flashback On~

Tinha apenas 11 anos, e minha mãe estava no oitavo mês de gestação, quando meu pai chega todo feliz em casa.

Pai: TENHO UMA ÓTIMA NOTÍCIA PARA DAR *disse feliz*

Mãe: Conta, conta! O que aconteceu?

Pai: Que tal a gente fazer uma viajem? 

Eu: Uma viajem? 

Pai: Sim! O que vocês acham de fazer uma viajem?

Mãe: Eu acho uma ótima ideia amor, mas para onde você quer ir?

Pai: Não sei... 

Sentamos na mesa tentando escolher um lugar legal para irmos viajar.

Mãe: Que tal se a gente for para um país que tenha calor? Já estou cansada da neve de Londres.

Pai: Mas que país é legal, e tem calor? 

Eu: Já sei! Que tal a África? 

Mãe: QUE? A África é um país legal filha, mas lá é muito calor, eu estava querendo um país que tenha calor, mas não que pareça um deserto.

Eu: Então que tal, Califórnia, ou um desses países?

Mãe: Califórnia de novo?

Pai: Que tal o Chile então? Lá tem neve, e tem calor.

Eu: Não me diga de neve pai!

Minha mãe pegou um mapa que estava encima da mesa, e colocou o dedo bem encima do Brasil.

Mãe: E que tal o Brasil? Me falaram que lá é um país lindo, tem calor, mas nem tanto, tem o cristo redentor, tem são paulo, tem o nordeste também, só que no nordeste tem bastante calor mas é lindo também, tem vários outros lugares lindos, o que vocês acham? 

Eu: Ia ser uma viajem bem diferente, eu quero!

Pai: Por mim tudo bem! Então vamos para o Brasil.


                                                    .              .              . 

Depois disso alguns meses se passaram, e nós já estávamos no Brasil fazia 2 semanas.

Estávamos no Hotel quando minha mãe começa a sentir umas contrações, umas dores.

Pai: Será que o bebê vai nascer? 

Eu: Mas é claro, olha o estado dela, chama alguém.

Chamamos os médicos do hotel, e eles nos levaram em um médico que havia por perto, pois o hotel não tinha estrutura para fazer um parto.

Ocorreu tudo bem no parto, nasceu um menino, o Guto, que hoje tem 6 anos.

Estava tudo bem lá no Brasil, quando meu pai tem um imprevisto de trabalho e tem que voltar para Londres.

Mãe: Fica aqui com a gente amor, olha o nosso filho, ele tem apenas 1 semana, semana que vem acaba as nossas férias e a gente volta todos juntos para Londres.

Pai: Desculpa, eu realmente tenho que ir.

Nesse dia estava chovendo muito

Eu: Por favor pai, algo me diz que eu não devo deixar você ir hoje.

Pai: Filha, semana que vem a gente vai se ver novamente em Londres, e vai estar tudo bem ok? 

Eu: Tudo bem.

Naquele momento eu me lembro que alguma coisa me dizia pra não deixa-lo ir viajar, mas ele insistiu, e ninguém conseguia mudar esse pensamento dele.

Pegamos um táxi e levamos ele para o aeroporto.

Dei tchau quanto vi o avião dele indo embora.

                                                       .          .        . 

Acordei no dia seguinte com a minha mãe chorando desesperada.

Eu: Mãe? O que houve?

Minha mãe apenas me abraçou.

Mãe: Não aconteceu nada filha.

Eu: E o pai? Ele ligou? Já chegou lá?

Minha mãe só chorou mais quando eu disse isso.

Eu: Mãe... e o pai? 

No mesmo momento passa alguma coisa na tv falando sobre um avião que caiu.

Eu: Mãe, não me diga que...

Mãe: A gente vai conseguir superar filha.

Só desabei em lágrimas.

Naquele momento eu soube que meu pai foi uma das vítimas que havia morrido.

Quando voltamos para Londres, minha mãe largou tudo, a loja do meu pai fechou, o dinheiro estava acabando, e eu sentia o desespero da minha mãe.

Minha mãe fazia alguns trabalhos, até garçonete ela já foi, mais não durou muito, pois ela conheceu uma mulher, chamada Helena, que resolveu fazer uma micro empresa, e ela chamou minha mãe para ajudar ela, minha mãe faz quase a mesma coisa que ela fazia na empresa do meu pai, a única diferença, é que o que ela ganha atualmente fazendo isso nessa empresa, quase não da pra ela cuidar de mim e do meu irmão, pois a empresa é muito pequena, e não lucra muito, mas já é algo, nunca chegamos a passar fome, mas já passamos por grandes apertos, quando meu pai morreu minha mãe perdeu tudo, ela simplesmente largou tudo, a loja era do meu pai, quando ele morreu passou pra minha mãe, mas ela deve que vender pois não conseguia dar conta de tudo.

Eu estudo em uma das melhores escolas de Londres, todo mundo lá é rico, metido, cada dia está com um celular diferente.

Minha mãe não deixa eu faltar, pois eu ganhei uma bolsa na escola, e não pago quase nada, nem eu e nem o meu irmão, e se a gente ficar faltando ou tirar notas baixas, perdemos a nossa bolsa.

Eu sempre estudei muito, para não tirar notas baixas e perder a bolsa, mais todo mundo me chama de nerd, eu não gosto disso, eu não sou nerd, se eles entendessem a minha situação nunca falariam isso, eu só dou o meu máximo para não perder minha bolsa e ter que ir para uma escola ruim, agora coloca isso na cabeça daqueles riquinhos metido a besta.

~Flashback Off~

Em meio a esses pensamentos, uma lágrima desceu o meu rosto.

Já era 7:40 e eu já estava pronta, só tinha que acordar meu irmão, trocar ele e levar ele para a escola.

Eu estava enrolando para ir pra escola, cada minuto a menos que eu passava lá, era muita coisa para mim.

Ninguém gosta de mim mesmo lá, eu não uso roupas caras, eu não sou amiga de todo mundo, eu só fico quieta na minha, e as pessoas vem brincar comigo, só que as brincadeiras não são legais, elas me machucam por dentro, e por fora.

Fui até o quarto do Guto. 

Eu: Guto, acorda *disse com uma voz calma* temos que ir para a escola.

Guto: Mana por favor eu não quero ir *cara fofa* as pessoas são chatas comigo lá, ninguém deixa eu brincar com o caminhão da sala.

Eu: Guto, a gente tem que ir pra escola, se não é pior para a gente, olha, eu juro que eu vou comprar um caminhão pra você, o que você quiser.

Guto: Jura? Até o caminhão que passa no lava rápido?

Eu: Até esse caminhão, mas pra isso você tem que ir para a escola né?

Guto deu um pulo da cama.

Ajudei ele a se trocar, e descemos as escadas.

Eu: Já pegou o casaco? está muito frio lá fora.

Guto: Já peguei, está ali olha.

Eu: Vai lá pegar, vou pegar seu lanche.

Guto foi correndo, enquanto eu procurava o lanche dele.

Guto: Ali olha, a mãe deixou ali.

Eu: Pronto, vamos!

Era 8:00 horas e eu estava 1 hora atrasada.

Para mim é a melhor coisa que se pode acontecer!


Continua....


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